Me interessa crescer e que todos os meus cresçam junto comigo também. Ver o outro sorrir também tem que fazer a gente sorrir mais.
O que me interessa é o caminho do amor. Busquemos.
Evoé!
WINNIE MORIYAMA
Alguns textos, algumas histórias. E umas poesias aqui e acolá. A vida pede por mais poesia. Eu também.
Me interessa crescer e que todos os meus cresçam junto comigo também. Ver o outro sorrir também tem que fazer a gente sorrir mais.
O que me interessa é o caminho do amor. Busquemos.
Evoé!
WINNIE MORIYAMA
No meu coração cabe o mundo todo…
Todos os mundos
Cabe eu
Quantas mais eus podem caber?
WINNIE MORIYAMA
Aquela loucura que me bagunça mas que me coloca no eixo. Luxo é ter calma na alma, cabeça e pensamento em paz. Coração batendo tranquilo. Forte, constante; aberto pra vida.
WINNIE MORIYAMA
“Você tem que aprender a levantar-se da mesa quando o amor não estiver mais sendo servido” – grande Nina Simone. Eu adoro essa frase há um tempão. Porque ela me lembra de voltar a aterrar os pés no chão sempre que eu vôo longe demais e me perco. Acontece que eu sou o que chamam de “romântica incorrigível”. Acho que eu tô sempre criando expectativas demais. Vou voando para longe e depois é claro, vem uma queda enorme.
Aprender a confiar na intuição sempre é um desafio pra mim. Porque fico na linha tênue de diferenciar o medo de confiar da intuição mesmo. Mas as vezes tá claro, é a gente que não percebe. Acho que a gente não quer perceber, na verdade. Mas tá aí o que a Nina diz, sabiamente. Precisamos aprender. E aprendizado -uma vez ouvi de um amigo – não é uma curva linear, mas um grande caos cheio de voltas, quedas e espirais.
Tipo esse texto. Apaguei, refiz, apaguei de novo. Aliás com quase todos. Tento ser mais verdadeira. E um pensar demais. Afe. Até eu fico com preguiça.
A vontade de ficar e a vontade de ir embora.
Esperança é bom pra quem? Eu odeio toda vez que eu caio. Não quero conhecer alguém novo, toda aquela coisa de novo. Ao mesmo tempo que eu amo me apaixonar. Ao mesmo tempo que também acho que isto não é tão fácil, pelo menos pra mim. Devemos aprender a ser só e ponto final? Aí me lembro daquele filme “Into the Wild”. Sei lá. O que é saudável, o que é bom pra gente? Ser sozinho é ruim? Mas a dor de um coração partido também não é ruim?
Não me refiro a um amor idealizado. Mas um amor real. E ver um possível amor real e achar que está indo embora e ter medo de ir é sempre horrível. Aí a gente fica ainda esperando na mesa. “Burra” – geralmente eu digo pra mim mesma. “Levanta daí”. E daí decidimos nunca mais amar. Tipo promessa de bebida alcoólica. E lá estamos nós de novo, sem que percebamos nos atirando para o amor de novo.
Talvez o amor seja uma droga. Bom, pelo menos parece uma, já que se manifesta igualzinho a um vício. E não to me referindo ao amor na forma mais pura da palavra. Até porque é lindo. Amor dá pra ser pela minha gata, pela minha mãe, pela natureza, trabalho etcetera. Não é sobre isso que tô falando.
Tô falando desse amor romântico. Parece que coloca a gente em umas furadas. Ao mesmo tempo que tenho uma puta preguiça dessas relações “modernas”. É isso, tenho uma puta preguiça mesmo.
Aí fico tentando meio que controlar esse meu desejo de amar. Vontade e contravontade. Parece que tô sempre amando demais.
Acho que vou me levantar da mesa. Mais uma curva nesse caos louco do aprendizado. Tô saindo da mesa sim. Dessa vez, nessa mesa, de um lado está sentada eu. E do outro lado, também.
WINNIE MORIYAMA
Até onde a gente pode mergulhar sem saber qual a profundidade?
O peito voraz dá um grito:
.
– se tratava de um grito silencioso. O peito gritou bem alto, mas em absoluto e completo silêncio.
Acabou que aquilo lhe despertou uma curiosidade estranha. Achou aquela coisa do grito silencioso, estranha. Mas peito não tem que achar, afinal peito não pensa, peito sente. Resolveu então solicitar os trabalhos do mestre do pensar, o cérebro:
– Gritar supõe palavras. Som. – disse o cérebro. – Vejamos bem. Comunicação! É isto. O som serve à comunicação. É para que chegue em alguém. Não entendo. Qual a finalidade de um grito silencioso? – Isto é inútil. Completamente inútil e sem sentido. Recomendo que deixe essa história para lá e passe só a gritar com palavras, sons e coisas do tipo, meu caro.
O peito até concordou. Parecia mesmo não haver utilidade nenhuma aquela ação. Se aborreceu um pouco, porque não era a primeira vez que aquilo lhe ocorria. Então caiu- se a gritar de novo, em silêncio, é claro. Mais uma vez, se aborreceu. Por mais que o cérebro explicasse a inutilidade daquele ato, o peito não conseguia evitar. Era quase uma necessidade.
– Talvez, talvez eu esteja com defeito. – ele dizia aborrecido. E cada vez mais que se aborrecia, o grito vinha. Ainda mais forte. E curiosamente ainda mais silencioso.
Ele já estava muito cansado. Já havia gritado em silêncio umas dez vezes. Parecia um soluço que não cessava nem com susto. Então, ele resolveu fazer a única coisa que sabia fazer: sentir.
Deixou um grito enorme enorme e absolutamente silencioso vir:
! ! . . !!!!!!!!!!!!! …..!!!!
..!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!!!!!!.
!!
..
.
Ele se assustou. Aconteceu que, não se sabia bem ao certo. Ele acabou chegando em uma conclusão. O cérebro também, até duvidou. já que essa função, do pensar, era trabalho, até então, exclusivo dele:
– O som é para chegar em alguém, cérebro, é verdade! – disse ele meio eufórico como alguém que desvenda algo novo – O grito silencioso é para chegar em alguém também.
O cérebro olhou com uma certa desconfiança, mas com uma estranha curiosidade também. Acenou e pediu para que o peito prosseguisse sua tese.
– É para que chegue em mim. O grito. É para que eu e ninguém mais, escute. Por isto o silêncio.
O cérebro também ficou em silêncio por um minuto ou dois, pensando. E então, se deu por vencido. Fez um gesto de reverência ao peito. É claro, ele sabia que em algumas discussões importantes como estas não há perdedores. Apenas o clarear de um caminho escuro, no qual ambos se beneficiarão. Muitos mais até.
O peito retribuiu o gesto de volta. Neste caso, porque sentiu que deveria fazê-lo, e dessa vez, só isto, bastava. Sorriu, então, feliz. Estava orgulhoso de si.
WINNIE MORIYAMA
O fato mais aterrorizante foi me ver daquela forma. Quer dizer, a vergonha que saia de ter proferido aquelas palavras. A vergonha de me desnudar na frente do outro. Mas sobretudo, senti vergonha de mim própria, de me ver desnudada. E fui eu mesma, em um descuido, que o fiz. Estou me referindo não a nudez do corpo, veja bem, mas uma nudez muito maior e preciosa. Me refiro da nudez da intimidade, tão secretamente protegida.
Não quero que me vejam. Na verdade, quero. É uma contradição. Quero sobretudo, me ver. Qual é a parada? Tá tudo nublado agora. Esta é minha sina: Eu penso demais. Não que seja ruim, é claro. Quero mostrar apenas como as coisas se apresentam. Essa briga interna gigantesca que enche o saco as vezes porque no fundo, a gente é um mistério. De coisas profundas. Tipo raízes, toda aquela parada do Iceberg da psicologia. E isso me fascina profundamente, mas também me gera um medo meio que proporcional.
– Não, por favor, não vá. É que… eu gosto de você! Tipo muito. Gosto mesmo. E eu não quero que você se vá, mas ao mesmo tempo também quero. Não quero que chegue tão perto assim. Ao mesmo tempo quero. Tudo é muito contraditório, porra. Mas a vida é assim. Ô coisinha complexa e confusa.
Tá. É que sou um troço medroso, na verdade. irritado, nervoso e muito, muito medroso. E ataca sim, é claro. Nessa tentativa – louca – de me aproximar enquanto não sei nada sobre o outro. E enquanto não sei o que acham que sabem sobre mim. Mas curiosa. Muito curiosa.
– Gosto para caralho de você! Que saco. Queria não gostar. Não, quero gostar sim. Você também sou eu. – Saia. Pensando bem, Não, não. Fique! Mas não construa uma prisão. Eu também não a quero. É que eu não quero viver em qualquer uma que seja, sabe? Só que muitas vezes aí que está o fato: nem sempre é fácil reconhecê-la. É preciso estar atento. Então eu penso muito.
Fascinante, aterrorizante? Eu não sei. Talvez sejam os dois, juntos. Aquela coisa que eu digo, é maior que as palavras. Afinal, nós somos humanos. Felizmente ou – e, também – infelizmente.
É que se eu tivesse dado pra nascer árvore, bicho, cachorro, papagaio, morcego. Mas o fato, meu senhor, é que eu nasci gente.
WINNIE MORIYAMA
Mas os dias tristes fazem parte. – Disse a menininha, enquanto brincava com seus pés na beira daquela represa banhada pelo sol do entardecer. – Mas eles não são eternos. Nada é- ela continuou -Veja a natureza – Existe o inverno, é verdade. Ele deixa tudo muito frio, nublado. Mas também existe a primavera, flores majestosas que nos presenteiam com aromas encantadores. Assim como existe o outono e também o verão. E eles começam e depois terminam e depois começam de novo. Porque não faz sentido que durem para sempre. A gente aprende a apreciar o sol quente tocando nossa pele depois de sentir o frio do inverno. O cheiro das flores depois de sentir a ausência delas. Mas também aprendemos a apreciar o frio quando o sol quente faz a gente se sentir cansado. E também as flores e frutos no chão, que quando caem alimentam a nossa terra e também plantam uma nova semente de algo novo. Renovando nossas esperanças. Assim é com os dias e momentos tristes e felizes. A tristeza e a alegria. Elas passam. E cada uma delas nos lembra de aproveita – las, porque afinal, elas não durarão pra sempre. Nos ensinam algo dessa coisa que se chama vida.
Então chore. – ela se virou então sorrindo pra mim. – aproveite quando a chuva vem. Ela certamente vai regar as flores que vem nascer depois.
Então eu chorei até cansar.
No final, ela estava certa, a menininha. Desde lá comecei a me interessar por essa coisa toda de agricultura, floricultura. Tenho achado muito legal. As flores realmente nasceram. Hoje estou cultivando um jardim inteiro.
De escuro mergulhado,
Atravessa-me.
Atravessa- me os olhos, corpo e alma,
Nus.
Engole- me. Rompe – me os poros.
Mas só me deixa atravessar,
De escuro mergulhado.
WINNIE MORIYAMA – 2021
Olhos quentes findavam-me
Meus olhos, absorviam o calor
e devolviam,
Aos teus,
luz.
Uma dança celestial em que tudo se clareia, nada escapa.
Eu Te vi.
Eu me vi
Vi o invisível; vi nós.
O infinito
realmente
me
tocou.
Mas em que momento me escapou o olhar?
Pois de mansinho,
Um vento gelado chegou levando tudo.
Um vento gelado cortante como mil pedacinhos pequeninos de vidro, chegou, levando tudo.
Fechei meus olhos.
Senti medo de abri-los.
Senti medo de abri-los e ver que o vento,
Também havia levado o seu olhar.
De que o vento havia levado o seu olhar, para metros, quilômetros de distância dos meus.
Por segundos quase os abri para dar uma espiada.
Mas não o fiz.
Pois em um segundo momento, tive também medo de abrir os olhos
não por ver o que o vento tinha me levado,
mas de ver o que o vento tinha me trazido.
Senti medo
Muito medo de que o vento trouxesse uma verdade para eu ver:
A de que seus olhos, não me viram. Me olharam, mas de fato nunca me enxergaram.
De que minhas pupilas, grandes e escuras, talvez estivessem apenas refletindo a você mesmo. Ou qualquer outra imagem, repetida, em qualquer outro olhar, assim como nos meus.
Teus olhos não haviam me prometido nada. E por isto, não os culpo. Foram os meus que juraram promessas quando enxergaram os teus.
Ainda ouço o som do vento.
Tenho medo.
Eu ainda continuo de olhos fechados.
WINNIE MORIYAMA