Há um tempão, por um acaso, vi uma frase que dizia:
“Para onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?”
Lembro que naquela época, aquilo me causou alguma reação imediata. Fiquei um tempão pensando sobre isso. É verdade… que curioso! Para onde vão, afinal, as palavras não ditas?
A possibilidade ou a ideia de o silêncio não ir para lugar algum me causou um estranhamento. Mais do que isso, acho que me causou uma certa tristeza. A ideia de as palavras não ditas morrerem em si mesmas era triste… e tão estranho. Como podiam se tinham tanto para dizer? Era como um segredo atirado e apagado pelo próprio vento. Não poderia ser. Elas deveriam de ir para algum lugar deste mundo.
Aquele pensamento e a estranheza me acompanharam por tempos e por muitos momentos aquela frase voltava a ressoar de novo dentro de mim como um eco sem ponto de chegada.
Esses dias, no entanto, estava passeando por um jardim quando encontrei um garotinho que me contou uma história interessante.
Ele disse que lá entre o coração e o peito tem um espacinho pra guardar silêncios. É um lugar profundo, um buraquinho, bem lá dentro mesmo.
Lá, bem lá dentro, fica uma caixinha, daquelas pequenininhas de madeira talhadas a mão. E é lá, no meiozinho do nosso peito, dentro dessa caixinha, que a gente guarda os nossos silêncios.
Silêncios até poderiam ser guardados todos dentro de uma caixinha tão pequena. É o lógico, já que não ocupam o mesmo espaço das palavras. Mas se tem uma coisa que silêncio não é, é lógico e muito menos, pequeno. Por muitas vezes, tem silêncios que são até maiores que todas as palavras de um livro! Bom… isso foi o que o menininho contou.
Então, naturalmente, uma hora a caixinha fica cheia desses silêncios e não cabe mais nenhum. Nenhunzinho sequer. Então alguns deles precisam sair. É nessa hora, então, que o silêncio sofre uma transformação. Não mais cabendo ele toma forma e vira lágrima.
A lágrima leva esses nossos silêncios grandes demais para que eles possam existir agora no mundo de fora também.
Depois secam, é claro. Como tudo no mundo, depois eles acabam se secando. Acho que nessa hora talvez eles tenham tomado um gosto maior pelo lógico. Ou então, quem sabe, acabem fazendo parte de um rio?! Mas isso o menino não disse. Eu também não perguntei.
Alguém aí já pesou uma lágrima?
Arrisco dizer que talvez elas devam pesar um bocadinho…
…Cabe um mundo em uma lágrima…
Winnie Moriyama