MESA

“Você tem que aprender a levantar-se da mesa quando o amor não estiver mais sendo servido” – grande Nina Simone. Eu adoro essa frase há um tempão. Porque ela me lembra de voltar a aterrar os pés no chão sempre que eu vôo longe demais e me perco. Acontece que eu sou o que chamam de “romântica incorrigível”. Acho que eu tô sempre criando expectativas demais. Vou voando para longe e depois é claro, vem uma queda enorme.

Aprender a confiar na intuição sempre é um desafio pra mim. Porque fico na linha tênue de diferenciar o medo de confiar da intuição mesmo. Mas as vezes tá claro, é a gente que não percebe. Acho que a gente não quer perceber, na verdade. Mas tá aí o que a Nina diz, sabiamente. Precisamos aprender. E aprendizado -uma vez ouvi de um amigo – não é uma curva linear, mas um grande caos cheio de voltas, quedas e espirais.

Tipo esse texto. Apaguei, refiz, apaguei de novo. Aliás com quase todos. Tento ser mais verdadeira. E um pensar demais. Afe. Até eu fico com preguiça.

A vontade de ficar e a vontade de ir embora.

Esperança é bom pra quem? Eu odeio toda vez que eu caio. Não quero conhecer alguém novo, toda aquela coisa de novo. Ao mesmo tempo que eu amo me apaixonar. Ao mesmo tempo que também acho que isto não é tão fácil, pelo menos pra mim. Devemos aprender a ser só e ponto final? Aí me lembro daquele filme “Into the Wild”. Sei lá. O que é saudável, o que é bom pra gente? Ser sozinho é ruim? Mas a dor de um coração partido também não é ruim?

Não me refiro a um amor idealizado. Mas um amor real. E ver um possível amor real e achar que está indo embora e ter medo de ir é sempre horrível. Aí a gente fica ainda esperando na mesa. “Burra” – geralmente eu digo pra mim mesma. “Levanta daí”. E daí decidimos nunca mais amar. Tipo promessa de bebida alcoólica. E lá estamos nós de novo, sem que percebamos nos atirando para o amor de novo.

Talvez o amor seja uma droga. Bom, pelo menos parece uma, já que se manifesta igualzinho a um vício. E não to me referindo ao amor na forma mais pura da palavra. Até porque é lindo. Amor dá pra ser pela minha gata, pela minha mãe, pela natureza, trabalho etcetera. Não é sobre isso que tô falando.

Tô falando desse amor romântico. Parece que coloca a gente em umas furadas. Ao mesmo tempo que tenho uma puta preguiça dessas relações “modernas”. É isso, tenho uma puta preguiça mesmo.

Aí fico tentando meio que controlar esse meu desejo de amar. Vontade e contravontade. Parece que tô sempre amando demais.

Acho que vou me levantar da mesa. Mais uma curva nesse caos louco do aprendizado. Tô saindo da mesa sim. Dessa vez, nessa mesa, de um lado está sentada eu. E do outro lado, também.

WINNIE MORIYAMA

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