Olhos quentes findavam-me
Meus olhos, absorviam o calor
e devolviam,
Aos teus,
luz.
Uma dança celestial em que tudo se clareia, nada escapa.
Eu Te vi.
Eu me vi
Vi o invisível; vi nós.
O infinito
realmente
me
tocou.
Mas em que momento me escapou o olhar?
Pois de mansinho,
Um vento gelado chegou levando tudo.
Um vento gelado cortante como mil pedacinhos pequeninos de vidro, chegou, levando tudo.
Fechei meus olhos.
Senti medo de abri-los.
Senti medo de abri-los e ver que o vento,
Também havia levado o seu olhar.
De que o vento havia levado o seu olhar, para metros, quilômetros de distância dos meus.
Por segundos quase os abri para dar uma espiada.
Mas não o fiz.
Pois em um segundo momento, tive também medo de abrir os olhos
não por ver o que o vento tinha me levado,
mas de ver o que o vento tinha me trazido.
Senti medo
Muito medo de que o vento trouxesse uma verdade para eu ver:
A de que seus olhos, não me viram. Me olharam, mas de fato nunca me enxergaram.
De que minhas pupilas, grandes e escuras, talvez estivessem apenas refletindo a você mesmo. Ou qualquer outra imagem, repetida, em qualquer outro olhar, assim como nos meus.
Teus olhos não haviam me prometido nada. E por isto, não os culpo. Foram os meus que juraram promessas quando enxergaram os teus.
Ainda ouço o som do vento.
Tenho medo.
Eu ainda continuo de olhos fechados.
WINNIE MORIYAMA